Tutora que adotou dois gatos com leucemia felina fala sobre desafios da doença: 'Vou cuidar deles pelo tempo que tiverem'
Tutora adota dois gatos diagnosticados com vírus da leucemia felina em Cerquilho; vídeo Gatos diagnosticados com o vírus da leucemia felina costumam enfrenta...
Tutora adota dois gatos diagnosticados com vírus da leucemia felina em Cerquilho; vídeo Gatos diagnosticados com o vírus da leucemia felina costumam enfrentar mais dificuldades para conseguir um lar, já que não podem ter contato com felinos saudáveis por causa do risco de transmissão da doença. Mesmo assim, histórias como a de Merlin e Romana mostram que a adoção é possível e pode transformar vidas. Em setembro de 2024, Karina se mudou para Cerquilho (SP) e tinha o desejo de adotar um gato. Ela passou a acompanhar as publicações feitas pela organização da cidade nas redes sociais e acabou sendo conquistada por um gato laranja chamado Merlin, que, dia após dia, continuava disponível para adoção. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp "Eu fiquei comovida quando soube que era um gato com FeLV, e entendi porque um felino lindo daqueles não estava sendo adotado: ele precisava de cuidados especiais", relembrou a tutora. Ao g1, a psicóloga explicou que gatos com essa doença, infelizmente, têm uma expectativa de vida menor, devido às complicações causadas pela condição. Além disso, eles não podem conviver com gatos saudáveis por causa do risco de contágio do vírus. Quando acessou o perfil do canil nas redes sociais, Karina buscou saber quanto tempo Merlin estava à espera de um lar e descobriu que ele aguardava a adoção praticamente desde o nascimento. "Isso quebrou meu coração. Na mesma hora, eu mandei mensagem para o canil e me coloquei à disposição para adotar o Merlin." "Adotar é um ato de amor. Para a gente, pode parecer algo simples, quase comum. Mas, para o animal, é uma mudança de vida completa. É a chance de finalmente ter um lugar seguro, de pertencer." Dias depois da inscrição para a adoção, o animal ganhou uma casa para chamar de sua. Segundo a tutora, foi amor à primeira vista. Por meio de relatos, ela soube que o gato era o xodó do canil, por ser muito carinhoso. "Adora subir no colo, adora um carinho na bochecha e gosta de aprontar muito. O Merlin é um gato muito único. Ele chegou com aproximadamente cinco anos", disse. Em Cerquilho (SP), uma tutora adotou dois gatos que foram diagnosticados com o vírus da leucemia felina Karina Amaral/Arquivo pessoal A família aumentou Alguns dias depois da adoção, Karina percebeu que Merlin passava a miar pela casa durante a noite. Quase ao mesmo tempo, o canil entrou em contato com ela e relatou que, após a saída do gato, uma gata chamada Romana, companheira dele por também ter o vírus da leucemia felina, estava triste e sentindo a falta do outro animal. "Nisso, eles me encaminharam uma foto dela e eu não pude ignorar. Eu sabia que ela ficaria muito tempo ali, talvez nunca sendo adotada. Tão logo pedi para trazerem ela para casa, pois eu iria adotar os dois." Com isso, a família aumentou e os dois companheiros puderam ficar juntos novamente. Romana havia sido resgatada de uma situação de maus-tratos, o que tornou o processo de adaptação mais difícil, já que a gata demonstrava desconfiança em relação à tutora. Após algumas semanas, o animal passou a se acostumar com o novo espaço e ficou mais próxima de Karina. "O Merlin ficava a todo momento junto dela e lambendo. Era como se ele estivesse dizendo: 'Aqui é seguro, não precisa ter medo' para ela", completou. Gatos adotados viveram no abrigo municipal desde o nascimento em Cerquilho (SP) Karina Amaral/Arquivo pessoal Desde que foram adotados, os dois seguem recebendo os cuidados necessários por conta da doença e, até o momento, não desenvolveram problemas de saúde mais sérios. Na verdade, conforme Karina, os dois ganharam peso, viraram "bolinhas de pelo fofas" e seguem brincando juntos pela casa. "Eu sei que esses gatos talvez não vivam tanto quanto um gato saudável viveria, por conta da FeLv, mas eu estou disposta a cuidar deles pelo tempo de vida que eles tiverem. Eu sei que posso oferecer uma vida confortável e feliz pelo tempo que eles forem viver. E isso, para mim, é o suficiente: saber que eles tiveram uma vida de amor." Para Karina, a adoção de gatos adultos é vantajosa, pois eles já possuem uma personalidade definida, sendo mais previsível que a de um filhote, além de ser uma oportunidade para esse grupo, que muitas vezes acaba não sendo uma opção para adoção. "Com o passar do tempo, correm risco de nunca conseguir um lar." 🐈 Leucemia felina A veterinária Juliana Sonoda explicou que a FeLV, vírus da leucemia felina, é uma doença viral que acomete somente os gatos. Os sintomas podem variar e, em alguns casos, o animal pode ficar anos sem apresentar os sinais. Os mais comuns são: Perda de peso; Falta de apetite; Apatia; Febre recorrente; Infecções frequentes (pele, boca e vias respiratórias); Gengivite e problemas dentários; Anemia; Diarreia ou vômitos crônicos. O FeLV é transmitido pelo contato próximo entre os gatos, como lambeduras e compartilhamento de potes, caixa de areia e mordidas, além da transmissão entre a mãe e os filhotes. A doença é exclusiva de gatos; humanos e cães não pegam. "Muitas pessoas, por falta de informação, têm medo que [os gatos] transmitam a doença para nós humanos. Muitos também possuem dificuldade de adotar por ter outros gatos", comentou. Segundo a especialista, a doença não tem cura, mas possui tratamento e controle. Os cuidados são focados em fortalecer a imunidade, tratar infecções secundárias, ter um acompanhamento veterinário e uma alimentação de qualidade. "Com os cuidados corretos, muitos gatos vivem bem e por muitos anos." Juliana citou que a doença pode dificultar a adoção dos animais. "Isso acontece muito por falta de informação. Gatos com FeLV podem ser companheiros incríveis, dóceis e felizes, e merecem tanto amor quanto qualquer outro", completou. Sobre a convivência entre os gatos, a veterinária esclareceu que gatos positivos para o vírus podem conviver entre si. O ideal é evitar que um gato positivo tenha contato com um que não tenha o vírus, para não ter o risco de infecção. Após adotar o Merlin, Karina precisou adotar Romana, pois os dois eram companheiros no abrigo municipal Karina Amaral/ *Colaborou sob supervisão de Carla Monteiro Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM