Suzane Richthofen foi a delegacia para tentar liberar corpo de tio encontrado morto em casa em SP
Suzane Von Richthofen é solta pela justiça Suzane von Richthofen, que ficou conhecida assim por mandar matar os pais em 2002, foi com seu advogado a uma deleg...
Suzane Von Richthofen é solta pela justiça Suzane von Richthofen, que ficou conhecida assim por mandar matar os pais em 2002, foi com seu advogado a uma delegacia em São Paulo para tentar liberar o corpo do tio materno. Miguel Abdalla Netto foi encontrado morto por um vizinho, na tarde da última sexta-feira (9), em sua casa no Campo Belo, na Zona Sul da capital paulista. A Polícia Civil investiga o caso como morte suspeita. A principal hipótese é de morte natural, mas apenas o laudo pericial vai confirmar a causa. Suzane não conseguiu liberar o corpo porque uma prima dele já havia feito isso. As informações são de policiais ouvidos nesta terça-feira (13) pelo g1 (saiba mais abaixo). O médico tinha 76 anos, morava sozinho, não era casado e não deixou filhos. Miguel ficou conhecido por ter se tornado tutor de Andreas von Richthofen, irmão de Suzane, após os assassinatos do casal Manfred Albert e Marísia von Richthofen. Andreas tinha 15 anos na época e está atualmente com 38. 'Episódio isolado de descontrole', diz tio de Andreas Richthofen após surto Miguel administrou os bens de Andreas até ele completar 18 anos. Formado em farmácia e bioquímica pela USP, Andreas não compareceu à delegacia para reclamar o corpo do tio. Irmão critica Suzane e cobra em rádio explicação de acusação contra pai Suzane se apresentou como sobrinha de Miguel no 27º Distrito Policial (DP), no Campo Belo. Segundo policiais, ela compareceu com seu advogado, entre domingo (11) e segunda-feira (12). Mesma delegacia que registrou mortes dos pais Suzane Richthofen (à esquerda) foi à delegacia (centro) tentar autorização para liberar corpo do tio, Miguel Abdalla (à direita) Reprodução/Arquivo/TV Globo/Google Maps/Cremesp O 27º DP é a mesma delegacia que havia registrado as mortes dos pais de Suzane, em 2002. A investigação, no entanto, foi feita por outra unidade policial, o Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O engenheiro Manfred, de 49 anos, e a psiquiatra Marísia, de 50, foram encontrados mortos na mansão onde moravam, também no Campo Belo. A polícia descobriu que Suzane havia mandado seu namorado à época, Daniel Cravinhos, e o irmão dele, Cristian, matarem os pais com golpes de barras de ferro. Caso Richthofen: mansão vendida segue vazia e borrada no Google após 20 anos Os três tentaram simular um latrocínio (roubo seguido de morte), mas depois confessaram o crime e foram presos. O motivo seria a oposição dos pais ao namoro de Suzane com Daniel, além do interesse na herança da família. Andreas não estava na casa e não sabia do plano. Quatro anos depois, Suzane, Daniel e Cristian foram condenados pela Justiça, mas cumprem atualmente as penas em regime aberto (saiba mais abaixo). Suzane von Richthofen solta: entenda como funciona e quais as regras do regime aberto Prima liberou corpo de tio Relembre o caso Suzane von Richthofen, condenada por matar os pais em 2002 Quase 24 anos depois, ela voltou à mesma delegacia, dessa vez para reclamar o corpo de Miguel, irmão de sua mãe. Só que agora ela se identificou como Suzane Louise Magnani Muniz, nome que passou a adotar desde que se casou em 2023 com o médico Felipe Zecchini Muniz. Ambos têm 42 anos e moram em Bragança Paulista, interior paulista. Em 2024 tiveram um filho. Mãe de filhos de namorado de Suzane von Richthofen pede guarda das crianças Mas chegando lá no DP, Suzane foi informada pelos policiais de que uma prima já havia feito a liberação. Carmem Silvia Gonzalez Magnani, empresária de 69 anos, compareceu à delegacia na manhã de sábado (10) e obteve autorização para retirar o corpo ao Instituto Médico Legal (IML) Central. Na noite de domingo (11), de acordo com policiais, um serviço funerário particular contratado pela familiar levou ele até um cemitério _o local não foi informado. Caso Richtofen, da esquerda para a direita: Cristian Cravinhos, Suzane von Richtofen e Daniel Cravinhos, condenados a 39 anos pelo assassinato dos pais dela em 2002 Arte G1/ Carlos Henrique Dias/G1/ Luara Leimig/ TV Vanguarda/ Jomar Bellini/TV TEM Segundo policiais, Miguel deixou a residência onde mora. E também teria outros imóveis e dinheiro aplicado em bancos. Eles não souberam informar, porém, se esses bens foram destinados a eventuais herdeiros escolhidos por ele em algum testamento, por exemplo. Na ausência disso, Suzane e Andreas poderiam pleitear futuramente na Justiça o direito a parte da herança. Em 2015, a Justiça de São Paulo oficializou a exclusão de Suzane da herança dos pais dela. À época ficou decidido que o patrimônio de R$ 10 milhões, entre imóveis e aplicações financeiras, ficasse somente com Andreas. Procurada pelo g1 para comentar o assunto, a advogada de Andreas informou que ela e seu cliente não comentariam o caso. A equipe de reportagem tenta contatar Suzane e Carmem para comentarem o assunto. O que diz a SSP IML Central, em São Paulo Leonardo Neiva/G1 Procurada para comentar o assunto, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou por meio de nota que "o corpo foi liberado para fins de inumação a uma prima da vítima, que compareceu à unidade policial e se identificou como parente mais próxima." Ainda de acordo com a pasta da Segurança, "posteriormente, outra parente também esteve no distrito policial solicitando a liberação do corpo, porém o pedido foi indeferido, uma vez que a liberação já havia sido realizada anteriormente." Ao g1, o delegado Eduardo Luís Ferreira, titular do 27º DP, disse que foi aberto um inquérito para apurar as circunstâncias da morte de Miguel. "Temos informações preliminares dos peritos de que a morte foi natural, mas vamos aguardar os resultados dos laudos", disse Eduardo sobre os exames que serão feitos pelo Instituto Médico Legal (IML) e Instituto de Criminalística (IC), ambos da Política Técnico-Científica. "Em princípio não havia sinais de violência". O corpo estava em decomposição quando foi encontrado pelo vizinho, que trabalha em uma empresa ao lado da residência. Após dois dias sem ver Miguel, ele subiu no muro e viu o médico caído no quarto. Chamou a Polícia Militar (PM), que preservou o local. Condenações Brasil, São Paulo, SP. 12/11/2002. Reprodução de foto da família Richthofen. Da esquerda para a direita: Suzane von Richthofen, o irmão Andreas Albert von Richthofen e os pais Marísia von Richthofene e Manfred Albert von Richthofen Sérgio Castro/Estadão Conteúdo/Arquivo Em 2006, Suzane, Daniel e Cravinhos foram julgados e condenados pelos assassinatos de Manfred e Marísia. Ela e o então namorado receberam penas idênticas de 39 anos de prisão. Cristian foi punido com 38 anos. Atualmente, os três cumprem o restante das penas em liberdade, no regime aberto. Os tempos das punições deles acabaram reduzidos depois. Suzane deixou a prisão em 2023 e passou a trabalhar com produção e venda online de chinelos, bolsas e pulseiras. Daniel saiu em 2018 e hoje, aos 44 anos, atua na customização de motos. Cristian foi solto em 2025 e trabalha com o irmão; ele tem 49 anos. Cristian, Daniel e Suzane von Richtofen, na época em que foram presos, em 2002 Reprodução/ Globo News