Relatório da SOS Mata Atlântica aponta piora na qualidade da água do Rio Tietê em Mogi das Cruzes
Poluição atinge toda a extensão do Rio Tietê O Rio Tietê começa a perder qualidade da água em Mogi das Cruzes, segundo relatório da Fundação SOS Mata ...
Poluição atinge toda a extensão do Rio Tietê O Rio Tietê começa a perder qualidade da água em Mogi das Cruzes, segundo relatório da Fundação SOS Mata Atlântica divulgado nesta quarta-feira (24). Enquanto a nascente, em Salesópolis, recebeu classificação boa, o trecho no município foi considerado ruim e marca o início da deterioração do rio em direção à Grande São Paulo. 🔎O rio Tietê nasce na Serra do Mar, em Salesópolis, a apenas 22 km do oceano Atlântico. Ele corre para o interior de São Paulo até desaguar no rio Paraná, em Itapura, após banhar 62 municípios paulistas. ✅ Clique para seguir o canal do g1 Mogi das Cruzes e Suzano no WhatsApp Os dados fazem parte da Expedição Tietê 2025, que avaliou as condições ambientais do rio desde a nascente, em Salesópolis, até a foz, em Itapura. A pesquisa foi realizada entre 9 e 14 de junho de 2025, em parceria com instituições de ensino, e percorreu mais de 1,1 mil quilômetros do rio. Ao todo, foram analisados 14 pontos de coleta. Os pesquisadores avaliaram indicadores como pH, concentração de carbono e nitrogênio, além da presença de fármacos, agrotóxicos, microplásticos e microrganismos. Segundo o relatório, o Índice de Qualidade da Água (IQA) em Mogi das Cruzes foi classificado como ruim. Rio Tietê no trecho do Jardim Maricá, em Mogi das Cruzes Ralph Siqueira/TV Diário A coleta foi feita no km 62 do Rio Tietê. Segundo o relatório, esse ponto marca o início da piora na qualidade da água conforme o rio se aproxima da Região Metropolitana de São Paulo. Os pesquisadores identificaram aumento significativo na concentração de nitrogênio em comparação aos níveis registrados na nascente. Segundo o estudo, esse resultado indica maior presença de matéria orgânica e compostos nitrogenados, associada principalmente ao lançamento de esgoto doméstico e a efluentes industriais. Indicadores do Rio Tietê A análise também identificou 13 tipos de fármacos na água do rio em Mogi das Cruzes, entre eles a cafeína. Segundo os pesquisadores, a substância indica a presença de esgoto doméstico. Além disso, foram encontrados quatro tipos de agrotóxicos. De acordo com a Prefeitura de Mogi das Cruzes, os índices de coleta e tratamento de esgoto na cidade são de 85% e 63%, respectivamente (leia mais abaixo). A administração municipal informou ainda que o Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae) coleta e trata o esgoto doméstico. Efluentes industriais devem ser tratados pelas próprias indústrias e quem faz a fiscalização é a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). O g1 pediu e aguarda informações da Cetesb. Os dados mostram ainda concentração de 614 mil unidades formadoras de colônia (UFC) de coliformes na água. No ponto analisado em Mogi das Cruzes, não foram encontradas partículas de microplásticos. O relatório conclui que a poluição aumenta na Região Metropolitana de São Paulo. No entanto, contaminantes já são encontrados em diferentes trechos do rio por causa da urbanização e das atividades agropecuárias ao longo da bacia. Segundo a Fundação SOS Mata Atlântica, a piora da qualidade da água está diretamente ligada à ocupação do solo e aos padrões de consumo da população. A nascente em Salesópolis Na nascente do Rio Tietê, em Salesópolis, o Índice de Qualidade da Água (IQA) foi classificado como bom, segundo o relatório da Fundação SOS Mata Atlântica. O ponto localizado no km 0, próximo ao olho d'água no Parque das Nascentes, recebeu a melhor avaliação entre todos os locais monitorados. Em Salesópolis, a Expedição Tietê 2025 realizou coletas em dois pontos: na nascente do rio e no km 20. As amostras, coletadas em 9 de junho, passaram por análises microbiológicas, parasitológicas e físico-químicas. As análises físico-químicas indicaram características de um ambiente preservado. Segundo os pesquisadores, esses parâmetros indicam baixa presença de matéria orgânica e reduzida influência de fontes de poluição, como esgoto e atividades agrícolas. Apesar de apresentar os melhores indicadores ambientais de toda a bacia do Rio Tietê, a nascente já mostra sinais de interferência humana. Degradação do Rio Tietê começa em Mogi das Cruzes Reprodução/TV Diário Foram detectados cafeína e traços de cocaína abaixo do limite de quantificação. Segundo os pesquisadores, a presença dessas substâncias pode estar relacionada ao lançamento de esgoto e à circulação de visitantes na área. Segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), o Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), com base de dados do ano de 2023, aponta que o índice de coleta de esgoto em Salesópolis é de 56% e que, do volume coletado, 99,37% recebe tratamento. Em relação à nascente do Rio Tietê, a Companhia esclarece que o Parque Nascentes do Tietê é uma área rural e isolada, onde não existem redes públicas de abastecimento de água e coleta de esgoto. A Sabesp destaca ainda que o município não possui atividade industrial significativa, não havendo registros relevantes de esgoto industrial atendido pela Companhia na cidade. Também foram identificados dois tipos de agrotóxicos e partículas de microplásticos. Segundo o relatório, os resultados mostram que contaminantes já chegam a áreas consideradas preservadas. Outro ponto de atenção foi a presença de coliformes acima dos limites estabelecidos pela Resolução Conama 357/2005 em alguns pontos analisados. Embora Salesópolis tenha apresentado as melhores condições ambientais ao longo do Rio Tietê, os pesquisadores destacam que contaminantes e indicadores microbiológicos já foram detectados na região. Segundo eles, isso reforça a necessidade de monitoramento constante e de ações de preservação, mesmo nas áreas de nascente. O que diz a Prefeitura de Mogi das Cruzes Segundo a Prefeitura de Mogi das Cruzes, atualmente, os índices de coleta e tratamento de esgoto na cidade são de 85% e 63%, respectivamente. O esgoto encaminhado ao Rio Tietê equivale a 37%. A administração municipal informou ainda que esse estudo da SOS Mata Atlântica indica caminhos para a preservação dos recursos hídricos. De acordo com a prefeitura, o Semae realiza um monitoramento da qualidade do rio e está em fase final de atualização do Plano Municipal de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário (PMAE). O objetivo do estudo é universalizar as metas de saneamento, conforme a legislação federal. A autarquia também é parceira de uma instituição de ensino da cidade no projeto de pesquisa em políticas públicas sobre a qualidade da água do Rio Tietê. Após a conclusão do estudo, a meta é definir as estratégias de uso do solo das margens e formular políticas públicas de proteção, conservação e recuperação de áreas de várzea do Rio. Leia mais Sistema Alto Tietê supera meta de chuva em junho pela primeira vez desde 2020 Alto Tietê tem mais de 4,3 mil vagas de emprego nesta quarta-feira; confira lista Nível do Rio Tietê em Mogi das Cruzes está mais baixo em relação ao ano passado Veja tudo sobre o Alto Tietê