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Prefeitura de SP retoma área do Teatro de Contêiner para construção de moradia popular

Prefeitura de SP retoma área ocupada pelo Teatro de Contêiner A Prefeitura de São Paulo retomou nesta quinta-feira (15) a área ocupada pelo Teatro de Contê...

Prefeitura de SP retoma área do Teatro de Contêiner para construção de moradia popular
Prefeitura de SP retoma área do Teatro de Contêiner para construção de moradia popular (Foto: Reprodução)

Prefeitura de SP retoma área ocupada pelo Teatro de Contêiner A Prefeitura de São Paulo retomou nesta quinta-feira (15) a área ocupada pelo Teatro de Contêiner na Rua dos Gusmões, no Centro da capital, para construção de moradia popular. A ação cumpre uma decisão da 5ª Vara da Fazenda Pública. Há 10 anos a Cia. Mungunzá de Teatro ocupava o terreno público, recebendo espetáculos de teatro, música e dança, sendo considerado referência nacional e internacional pela inovação arquitetônica. No último ano, a companhia e a prefeitura travaram uma batalha judicial pelo terreno. A disputa chegou a mobilizar artistas renomados, como Marieta Severo e Fernanda Montenegro, e o Ministério da Cultura. (Leia mais abaixo.) Na segunda-feira (12), o Tribunal de Justiça reconheceu que o prazo para a permanência do Teatro na área se encerrou e que a prefeitura podia retomar a área. A permanência havia sido inicialmente autorizada por 180 dias, mas a Justiça reduziu o prazo para 90 dias, já encerrado. Com o fim desse período, a juíza destacou que não há impedimento legal para que o município retome a posse do terreno, uma vez que atua em conformidade com o direito de propriedade. Ao g1, o produtor Marcos Felipe, do Teatro de Contêiner, afirmou que a companhia aceitou a proposta da prefeitura para transferência do espaço para a Rua Helvétia. Segundo ele, porém, há cerca de um mês o grupo tenta agendar uma reunião com a administração municipal para viabilizar a mudança, sem sucesso. Por isso, a companhia afirma ter sido pega de surpresa pela ação coordenada pela Subprefeitura da Sé nesta quinta-feira. Teatro de Contêiner Mungunzá fica na região da Cracolândia, bairro da Luz, Centro de São Paulo. Victor Iemini/Divulgação Segundo a prefeitura, a área será transferida para a Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (COHAB). O projeto prevê: Construção de Unidades Habitacionais: atendimento à demanda por moradia popular no centro da cidade; Espaços de lazer e convivência: revitalização urbana do entorno para benefício de toda a comunidade local; Segurança e Requalificação: integração da área ao plano estratégico de recuperação da região central. Ao longo de 2025, a prefeitura ofereceu alternativas para realocação do teatro, que não foram aceitas. Na época, os gestores do Teatro de Contêiner explicaram ao g1 que já tinham um cronograma de apresentações e eventos até o final de dezembro, como a 41ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro, financiado pela própria gestão municipal. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Decisões anteriores Em setembro de 2025, o Tribunal de Justiça de São Paulo já havia decidido a favor de um recurso apresentado pela prefeitura e determinado que a companhia teatral Teatro de Contêiner Mungunzá deixasse, no prazo de até 90 dias, o terreno que ocupa desde 2016 na região da Cracolândia, no Centro da capital. A prefeitura informou que, ao longo de um ano, fez quatro ofertas de terrenos ao grupo, todos na região central e maiores do que a área atualmente ocupada pelo teatro, incluindo um na Rua Helvétia, mas que não foram aceitas. A administração municipal também disse ter proposto a concessão de R$ 100 mil como apoio para viabilizar a mudança. Teatro de Contêiner Mungunzá Reprodução Apoios Marieta Severo critica ação da GCM contra Teatro de Contêiner O despejo do Teatro de Contêiner mobilizou nomes do mundo artístico desde maio do ano passado. A atriz Marieta Severo criticou e comparou com a ditadura militar a ação truculenta da GCM contra os artistas do Teatro de Contêiner e membros da ONG Tem Sentimento (veja abaixo). Em vídeo publicado nas redes sociais, a atriz classificou a ação dos guardas como lamentável: "Me remeteu aos piores tempos de uma ditadura, que eu vivi, onde os teatros eram invadidos, onde os atores eram ameaçados". Quero deixar aqui a minha tristeza profunda por esse momento, e a minha vontade, a minha esperança de que isso não aconteça mais no Brasil. Não há mais espaço para isso. Nós vivemos uma democracia plena, precisamos dela, gostamos dela, queremos viver nela. E esse tipo de cena não compactua, não pode acontecer na democracia, na liberdade que a gente precisa, principalmente nas nossas artes, na nossa cultura. A polêmica mobilizou outros nomes do mundo artístico. Fernanda Torres, vencedora do Globo de Ouro de Melhor Atriz por “Ainda Estou Aqui”, enviou uma carta ao prefeito Ricardo Nunes (MDB), pedindo a permanência do teatro no endereço atual, segundo a Folha de S.Paulo. Em junho, sua mãe, Fernanda Montenegro também havia apelado a Nunes para suspender o despejo em carta publicada nas redes sociais.