Moradores de prédio seguem sem água potável nove dias após contaminação por esgoto em Santos
Moradores de prédio em Santos completam nove dias sem água após contaminação por esgoto Moradores de um prédio em Santos, no litoral de São Paulo, estão...
Moradores de prédio em Santos completam nove dias sem água após contaminação por esgoto Moradores de um prédio em Santos, no litoral de São Paulo, estão há nove dias sem água potável após a contaminação das caixas d'água por esgoto. Ao g1, uma moradora, que preferiu não se identificar, afirmou que o problema continua sem previsão de solução. A contaminação no Condomínio Edifício Brumar, localizado na Avenida Presidente Wilson, no bairro Pompéia, começou no dia 4 de julho. Moradores foram orientados a não utilizar a água da rede interna. Procurado, o condomínio afirmou que a contaminação foi provocada por uma obra realizada na caixa d'água durante a gestão anterior. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. Segundo a moradora, a falta de água potável tem dificultado atividades básicas, como tomar banho e preparar alimentos. "Já são nove dias sem água potável para banho e para fazer comida", disse ela. A moradora acrescentou que ela e o marido tiveram diarreia após o contato com a água contaminada. "Ficamos doentes. Até agora ninguém falou nada, só disseram que estão aguardando o laudo da água. Isso é desumano. Hoje, por exemplo, estamos tendo que buscar água na torneira que fica do lado de fora do prédio", afirmou. Imagens obtidas pelo g1 mostram o caminho percorrido pelos moradores até uma torneira instalada pela Sabesp na entrada do edifício para buscar água (assista no topo da reportagem). Condomínio em Santos tem água contaminada por esgoto. Arquivo Pessoal A administradora do condomínio encaminhou aos moradores um comunicado informando que a Vigilância Epidemiológica realizará uma força-tarefa para exames de sorologia para hepatites e leptospirose, além de exames de fezes. De acordo com o documento, a partir dos resultados, vacinas poderão ser disponibilizadas aos moradores. Relembre o caso Após serem informados sobre a contaminação, uma moradora afirmou que mais de 20 pessoas apresentaram sintomas como vômito e diarreia. A Vigilância Sanitária intimou o condomínio e determinou a apresentação de um novo certificado de limpeza e desinfecção das caixas d'água. Em nota, a Sabesp informou que não identificou irregularidades no abastecimento de água e atribuiu a contaminação a um problema nas instalações hidráulicas e sanitárias do edifício. Comunicados internos O g1 teve acesso a comunicados internos enviados aos moradores. Em um dos documentos, o condomínio informou que um técnico especializado identificou que a tubulação de esgoto do prédio era mais profunda do que a dos edifícios vizinhos, por se tratar de uma construção mais antiga. Segundo o comunicado, isso fazia com que parte do esgoto da região fosse direcionada para o sistema do condomínio, dificultando o escoamento. A administração também informou que outras caixas d'água passaram a apresentar sinais de contaminação, com odor característico de esgoto. Uma inspeção técnica identificou que a estrutura onde ficavam as bombas e as caixas d'água não era impermeabilizada. Segundo o comunicado, essa falha estrutural permitia há anos o vazamento de água potável e, com o esgoto represado, a água armazenada foi contaminada. Entre as medidas anunciadas estavam a avaliação do acionamento da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e do Corpo de Bombeiros, a continuidade das tratativas com a Sabesp e o levantamento técnico da estrutura das galerias e das caixas d'água para definir as obras necessárias. Orientação para não utilizar água Em um dos comunicados internos, o condomínio orientou os moradores a não utilizarem a água da rede interna para beber, cozinhar, lavar alimentos ou tomar banho até que a situação fosse normalizada. Segundo o aviso, os moradores deveriam utilizar água mineral para consumo e higiene pessoal. O condomínio também informou que disponibilizou uma torneira na entrada do prédio, abastecida pela rede da Sabesp, para que os moradores pudessem retirar água. Posicionamentos Segundo a Sabesp, a contaminação é resultado de um problema nas instalações hidráulicas e sanitárias internas do edifício, cuja manutenção é de responsabilidade da administração do condomínio, que recebeu orientações técnicas durante a inspeção. Também em nota, a Secretaria de Saúde de Santos informou que a Vigilância Sanitária esteve no local no último dia 6 e intimou o condomínio. O órgão determinou a apresentação de um novo certificado de limpeza e desinfecção da caixa d'água e de um laudo que comprove a potabilidade da água, além da realização de reparos nos reservatórios danificados. Segundo a pasta, o condomínio já iniciou as providências para regularizar a situação. VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos