Investigação da PM liga Milton Leite, ex-presidente da Câmara de SP, a empresa de ônibus suspeita de elo com PCC
Documentos ligam Milton Leite à Transwolff Documentos da Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo obtidos pelo SP2 apontam indícios que ligam o ex-presi...
Documentos ligam Milton Leite à Transwolff Documentos da Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo obtidos pelo SP2 apontam indícios que ligam o ex-presidente da Câmara Municipal da capital, Milton Leite (União Brasil), à empresa de ônibus Transwolff, investigada por suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A apuração também investiga a atuação de policiais militares em favor de dirigentes da empresa, que teve o contrato cancelado com a Prefeitura de São Paulo. A investigação da Corregedoria da PM, que inicialmente apurava o envolvimento de policiais militares com dirigentes da Transwolff, avançou e passou a alcançar o campo político. Segundo os documentos, há indícios de uma relação financeira entre Milton Leite, um dos políticos mais influentes da capital, e a empresa de ônibus. De acordo com a Corregedoria, a construtora Neumax é apontada como o elo financeiro entre o ex-vereador e a Transwolff. A empresa tem Milton Leite como sócio e, segundo os investigadores, pode ter sido utilizada para lavar dinheiro da empresa de ônibus. A análise da movimentação financeira da Neumax indica que, por meio da construtora, Milton Leite recebia R$ 812 mil por mês da Transwolff pelo aluguel de um terreno vizinho ao Terminal Varginha, na Zona Sul de São Paulo, e de um conjunto industrial, também localizado na Zona Sul da capital. Ainda segundo a Corregedoria da PM, o valor pago estaria quase três vezes acima da média do mercado. Na semana passada, a Corregedoria prendeu três policiais militares suspeitos de fazer segurança particular para dois dirigentes da Transwolff. O inquérito reúne mensagens de texto trocadas entre os dirigentes da empresa e os PMs investigados que, segundo os investigadores, revelam a subordinação dos policiais presos ao então presidente da Câmara Municipal, Milton Leite. Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Câmara de SP Paulo Gomes/TV Globo Em agosto do ano passado, o sargento Nereu Aparecido Alves enviou uma mensagem para Cícero de Oliveira, conhecido como “Té”, diretor da Transwolff, para justificar um atraso no serviço. Segundo a investigação, na mensagem o policial afirma que o “chefe” seria Milton Leite. Em outro trecho destacado no inquérito, o sargento escreveu: “Estamos em uma agenda, vai demorar, o celular do chefe está comigo. ‘Inauguração da escola do nome da mãe do chefe Milton’.” A Corregedoria cruzou informações e confirmou que, em 18 de agosto de 2023, houve a entrega de uma creche que leva o nome da mãe do vereador. Logo após citar a homenagem, o assunto da conversa passa a ser dinheiro. O diretor da Transwolff orienta o sargento a passar no escritório para pegar “uns Q-S-J”, expressão que, segundo a Corregedoria, é uma gíria militar para propina. Durante a operação realizada na semana passada, os investigadores apreenderam cerca de R$ 1 milhão em dinheiro vivo na casa do sargento Nereu Aparecido Alves. Para a Corregedoria, o uso da expressão “chefe Milton” e a presença do policial em um evento do então vereador no mesmo dia em que negociava um suposto pagamento de propina indicam uma dupla lealdade. A conclusão dos investigadores é a de que os agentes faziam segurança para suspeitos de ligação com o PCC e, ao mesmo tempo, atendiam demandas do então presidente da Câmara. Ainda segundo a investigação, o elo entre crime e política se fecharia com o capitão Alexandre Paulino, que trabalhava na assessoria militar da Câmara Municipal. Apontado como chefe da segurança clandestina da Transwolff, ele foi ajudante de ordens de Milton Leite na Câmara e, de acordo com o relatório, mantinha “estreitas ligações” com o político desde 2014. Milton Leite deixou a vida pública no ano passado, após sete mandatos como vereador e depois de ter presidido a Câmara Municipal por quatro vezes. Ele atualmente é presidente estadual do União Brasil em São Paulo. O que dizem os acusados Em nota, o ex-presidente da Câmara afirmou que o valor do aluguel pago pela Transwolff segue o preço de mercado e que qualquer informação diferente disso se trata de ilação ou mentira. Disse ainda que não conhece o sargento Nereu Aparecido Alves e que o policial não trabalhou na escolta dele. Sobre o capitão Alexandre Paulino, Milton Leite declarou que eventuais atividades fora das funções do cargo são de total responsabilidade do militar. A defesa do capitão Alexandre Paulino afirmou que ele é inocente de todas as acusações. O SP2 não conseguiu contato com a defesa do sargento Nereu Aparecido Alves. A Transwolff informou que sempre contratou empresas de segurança devidamente estabelecidas e que continua se defendendo nas instâncias competentes, além de colaborar com as autoridades. A Câmara Municipal de São Paulo afirmou que o cargo ocupado pelo capitão Alexandre Paulino Vieira é de confiança e que não há registro que o desabone nas cinco gestões em que atuou junto à Presidência. Após ser presa por elo com líder do PCC, musa da Gaviões volta ao Sambódromo de SP