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Governo de SP suspende mais de 30 obras da Sabesp após explosão no Jaguaré

Governo suspende 30 obras após explosão no Jaguaré O governo de São Paulo informou nesta terça-feira (13) que mais de 30 obras da Sabesp foram suspensas pr...

Governo de SP suspende mais de 30 obras da Sabesp após explosão no Jaguaré
Governo de SP suspende mais de 30 obras da Sabesp após explosão no Jaguaré (Foto: Reprodução)

Governo suspende 30 obras após explosão no Jaguaré O governo de São Paulo informou nesta terça-feira (13) que mais de 30 obras da Sabesp foram suspensas preventivamente após a explosão no Jaguaré, na Zona Oeste da capital, que matou um homem, deixou feridos e destruiu imóveis. Segundo o governador Tarcísio de Freitas, as intervenções foram interrompidas para revisão dos protocolos de segurança em obras que envolvem escavações próximas a redes subterrâneas. “Existe um protocolo para essas obras em conjunto, sempre que você vai fazer uma obra que envolve escavação e que tem interferência com outras concessionárias, você faz isso em conjunto. Tinha um técnico da Comgás aqui. Tinha marcação no terreno da onde o furo direcional deveria passar e por alguma razão isso não foi feito da maneira correta e a gente teve o acidente”, afirmou. “Então a gente tá apurando. A gente tem mais de 30 obras dessa natureza acontecendo neste momento, todas foram interrompidas pra que a gente possa revisitar esses protocolos e evitar novos acidentes.” A explosão aconteceu na segunda-feira (11), após uma obra da Sabesp atingir uma tubulação de gás da Comgás. O acidente matou Alex Sandro Fernandes Nunes, de 49 anos, e deixou outras três pessoas feridas. No fim da tarde, 19 famílias receberam laudos de interdição total dos imóveis pela Defesa Civil. Apesar disso, a maior parte das 232 famílias afetadas pela explosão já foi liberada para voltar para casa. Segundo o governo estadual, todas as famílias terão direito à reconstrução parcial ou total dos imóveis. Durante visita à Rua Piraúba, uma das mais atingidas pela explosão, Tarcísio afirmou que cerca de 20 famílias também poderão optar por receber uma carta de crédito da CDHU para compra de imóveis já prontos em outro local. A dona de casa Rosana da Silva Farias disse que prefere deixar a região após o trauma vivido. “Eu moro há muitos anos aqui. Eu não quero mais voltar pra esse lugar, pra mim foi muito triste, eu vi eu quase me afundando, eu vi meu vizinho morrendo, eu prefiro CDHU, pra cuidar dos meus filhos melhor, que são especiais, eu prefiro ter um apartamento pra mim.” O assistente administrativo Carlos Henrique da Silva Moraes contou que estava em casa quando percebeu o forte cheiro de gás antes da explosão. “A minha casa foi uma das principais que desabou. No momento da explosão eu tava em casa, com meu cachorro, notifiquei a Fernanda por mensagem, disse há uma hora que tava um cheiro muito forte de gás.” Ele afirmou que ainda não decidiu se aceitará a reconstrução do imóvel ou a mudança para outro local. “Acho que tá tudo muito recente, a gente tem muita coisa pra processar, tem a coisa do afeto, a gente nasceu aqui, cresceu aqui.” A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) deu prazo até sexta-feira (16) para que Sabesp e Comgás apresentem explicações sobre o acidente. Um manual criado por Enel, Sabesp e Comgás estabelece protocolos para obras subterrâneas na capital, com regras para evitar rompimentos de redes e falhas de comunicação durante escavações. O documento foi desenvolvido em 2022 a partir do projeto piloto chamado “Núcleo Compartilhado de Obras”. Segundo a empresa terceirizada responsável pela obra da Sabesp, a escavação estava a dois metros da rede da Comgás — distância 50 centímetros superior à área de segurança indicada pela companhia de gás. Solidariedade Em meio à destruição, moradores da região também passaram a receber ajuda de voluntários, igrejas e comerciantes. O empresário Marcelo Simões montou uma estrutura para distribuição de refeições às famílias desalojadas. “Eles não têm como produzir comida e a comida que eles têm tá dentro de casa. Então é uma sinuca.” Já o morador Eduardo Duarte contou que a casa da família deverá ser demolida. “Tá muita rachadura, o teto caiu todo e mexeu muito na estrutura, porque a casa é de três andares. Aí eles colocaram a placa vermelha, que tudo indica que eles vão demolir a casa.” Segundo ele, famílias atingidas estão hospedadas temporariamente em hotéis pagos pela Sabesp e pela Comgás até que novas moradias sejam providenciadas. Responsabilização Tarcísio também afirmou que o governo estadual vai responsabilizar as duas concessionárias pelo acidente. "Nesse momento, as investigações continuam em curso, o Instituto de Criminalística [IC] vai fazer o laudo para identificar exatamente como o acidente se deu. Não vamos abrir mão também de responsabilizar as concessionárias. De aplicar as sanções previstas no regulamento e contrato em função deste acidente", afirmou o governador durante coletiva de imprensa na comunidade Nossa Senhora das Virtudes II. Ele também destacou que "o contrato prevê uma série de sanções, e elas serão aplicadas". "Vamos punir rigorosamente esse caso. A mão pesada do Estado vai se fazer presente, a ação do Estado vai se fazer presente. A punição também vai acontecer pesadamente quando a Sabesp deixar de cumprir qualquer que seja o indicador." Tarcísio visita moradores do Jaguaré e afirma que 'não abrirá mão de responsabilizar as concessionárias' pela explosão. Reprodução/TV Globo Durante a visita, o governo estadual anunciou um plano de atendimento habitacional para as famílias afetadas. Segundo Tarcísio, quatro construtoras foram contratadas para iniciar imediatamente as obras de reparo nos imóveis atingidos. De acordo com o governador, 85 casas que tiveram danos leves passarão por recuperação imediata. Outras 15 residências com danos considerados severos também serão reformadas. Já cinco imóveis terão de ser demolidos — em alguns deles, viviam mais de uma família. Segundo o governo, cerca de 20 famílias precisarão de atendimento habitacional emergencial. As famílias afetadas também poderão visitar apartamentos prontos da CDHU, acompanhadas por equipes do estado. Segundo Tarcísio, as unidades serão entregues mobiliadas, e os custos serão pagos pela Sabesp e pela Comgás. A mudança, porém, só ocorrerá se houver concordância dos moradores. “O morador vai escolher. Se ele quiser permanecer no Jaguaré, nós vamos garantir essa possibilidade. Se quiser uma carta de crédito, também terá essa opção”, afirmou o governador. Segundo ele, as famílias poderão optar por auxílio-aluguel ou por uma carta de crédito habitacional, inicialmente entre R$ 250 mil e R$ 300 mil, para compra de outro imóvel. Auxílio emergencial Defesa Civil faz vistoria em 105 imóveis e mantém 19 interditados após explosão no Jaguaré O número de famílias afetadas pela explosão no Jaguaré, na Zona Oeste de São Paulo, que receberá o auxílio emergencial da Sabesp e da Comgás subiu para 232 nesta quarta-feira (13). Segundo as concessionárias, todas devem receber o PIX de R$ 5 mil até o fim do dia. A explosão aconteceu na tarde de segunda-feira (11), na comunidade Nossa Senhora das Virtudes II, após uma obra da Sabesp atingir uma tubulação de gás da Comgás. O acidente matou Alex Sandro Fernandes Nunes, de 49 anos, e deixou outras três pessoas feridas. Cinco imóveis terão que ser demolidos e outros 14 estão interditadose precisarão de alguma obra. Segundo a diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Sabesp, Samantha Souza, 84 famílias já receberam o valor integral de R$ 5 mil. As demais vão receber nas próximas horas o complemento de R$ 3 mil via PIX — inicialmente, o auxílio emergencial havia sido fixado em R$ 2 mil. “As equipes seguem atuando para que todas as famílias cadastradas recebam os valores ainda hoje”, afirmou a diretora durante coletiva de imprensa nesta quarta. De acordo com as concessionárias, o auxílio emergencial não substitui o ressarcimento pelos danos causados nos imóveis. A Sabesp e a Comgás vão custear as reformas e indenizações materiais das residências atingidas pela explosão, explicou Samantha. 'É ruim ver o sonho da sua mãe ser destruído de forma tão rápida', afirma adolescente Maior explosão da história de SP deixou 42 mortos e 300 feridos há 30 anos em shopping de Osasco Após explosão no Jaguaré, Tarcísio diz que obras da Sabesp privatizada 'tiram o sono' Coletiva de imprensa com representantes do Estado, da Comgás e da Sabesp na comunidade Nossa Senhora das Virtudes II nesta quarta-feira (13). Pedro Bairon/TV Globo Situação dos imóveis Segundo o tenente Maxwell Souza, da Defesa Civil, 105 imóveis foram vistoriados desde o acidente. Desse total, 86 residências foram liberadas para o retorno das famílias. Outros 14 imóveis seguem interditados de forma cautelar, por apresentarem danos estruturais que exigem reforma antes da liberação. Já cinco imóveis foram interditados definitivamente e deverão ser demolidos. O tenente também afirmou que equipes das concessionárias começaram os trabalhos de avaliação e reparo logo após as vistorias técnicas. “No primeiro momento, fizemos um mapeamento preventivo e temporário. Depois, montamos uma força-tarefa para analisar todos os imóveis e os riscos estruturais existentes”, afirmou. Moradia provisória Na coletiva, o secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Marcelo Branco, informou que a CDHU iniciou o cadastramento das famílias afetadas e fará a intermediação das indenizações junto às concessionárias. Cerca de 40 imóveis recém-finalizados da CDHU poderão ser disponibilizados para famílias que precisarem deixar suas casas durante as reformas. As unidades ficam em regiões como Raposo Tavares, na Zona Oeste, e no Centro. As famílias também poderão optar por locação social ou aquisição de outro imóvel por meio de carta de crédito. A escolha da modalidade ficará a cargo dos moradores afetados, segundo o secretário. O coronel Élço Moreira da Silva Júnior, responsável pela interlocução entre as secretarias estaduais, reforçou que as concessionárias serão responsáveis pelos custos das indenizações e reconstruções. “As reconstruções vão depender da necessidade de cada família, mas toda a indenização é responsabilidade das concessionárias”, disse. Vista do local da explosão ocorrida na região do Jaguaré, na zona oeste de São Paulo. TABA BENEDICTO/ESTADÃO CONTEÚDO/ESTADÃO CONTEÚDO Fornecimento de gás O diretor institucional e regulatório da Comgás, Bruno Dalcomo, afirmou que cerca de 80 profissionais das duas concessionárias atuam na região em trabalhos de vistoria, reparos e restabelecimento do fornecimento de gás. No Condomínio Butantã, o fornecimento já foi normalizado. Já no Condomínio Jaguaré, que possui cinco torres e cerca de 350 apartamentos, o processo de religação ainda está em andamento. Segundo Dalcomo, cerca de 70% das unidades já foram vistoriadas e o restante deve ser avaliado até o fim desta quarta-feira. Ele afirmou ainda que não foram identificados danos estruturais nos prédios. “As pessoas terão quantas diárias de hotel forem necessárias até terem uma moradia permanente ou provisória”, afirmou o diretor da Comgás. Novas imagens mostram o momento da explosão em obra da Sabesp em SP A explosão A explosão aconteceu por volta das 16h10 de segunda-feira (11), na Rua Floresto Bandecchi, próximo à Rua Dr. Benedito de Moraes, no Jaguaré, Zona Oeste de São Paulo. A explosão destruiu imóveis e provocou danos em dezenas de residências da região. Vídeos gravados por moradores mostram janelas estilhaçadas, casas tremendo com a onda de choque e pedidos de socorro logo após o estrondo. Explosão na zona oeste de SP destrói casas, deixa ao menos um morto e três feridos FRAGA ALVES/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO Segundo relatos feitos à Polícia Militar e ao Corpo de Bombeiros, pessoas chegaram a ser lançadas pela força da explosão e houve vítimas presas sob os escombros. O local foi isolado por risco de novos vazamentos de gás e mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, Samu, Defesa Civil e policiais civis e militares. As causas do acidente são investigadas pela Polícia Civil, pelo Instituto de Criminalística e pela Arsesp. Infográfico - Explosão atinge casas no Jaguaré, em SP Arte/g1