Família de entregador de app morto por GCM diz que soube do caso pela TV e questiona versão de disparo acidental em SP
GCM mata entregador de pizza em São Paulo A família do entregador de aplicativo Douglas Renato Scheeffer Zwarg, de 39 anos, morto após ser baleado por um gua...
GCM mata entregador de pizza em São Paulo A família do entregador de aplicativo Douglas Renato Scheeffer Zwarg, de 39 anos, morto após ser baleado por um guarda civil metropolitano na Zona Sul de São Paulo, afirma que só soube da morte dele pela televisão e pelas redes sociais, horas depois do ocorrido. A sogra da vítima, Débora, contou à TV Globo que a família passou a madrugada procurando Douglas em hospitais e delegacias, sem qualquer informação oficial. O entregador foi baleado por volta das 19h de sexta-feira (10), na Praça Reino do Marrocos, ao lado do Parque Ibirapuera, pelo subinspetor da GCM Reginaldo Alves Feitosa. O agente chegou a ser preso em flagrante, mas pagou fiança de R$ 2 mil e foi solto. Ele já respondeu a um processo por tentativa de homícido em 2003 (leia mais abaixo). Segundo ela, pouco antes da abordagem, Douglas havia ligado para a mulher dizendo que levaria uma pizza para casa, para que os dois terminassem de assistir a um filme iniciado na noite anterior. O entregador Douglas Renato Scheeffer Zwarg, de 39 anos, morreu após ser baleado pela GCM. Ele deixou três filhos. Reprodução Douglas deixa três filhos: duas filhas, de 18 e 10 anos, e um bebê de 4 meses. De acordo com a família, ele trabalhava em dois empregos, era um pai presente e não tinha antecedentes criminais. A sogra da vítima questiona a versão apresentada pelo agente da Guarda Civil Metropolitana (GCM), que afirma que o disparo foi acidental. Ela também afirmou não acreditar que o tiro tenha sido involuntário, destacando que se trata de um agente treinado para o uso de arma de fogo. Outro ponto criticado é o fato de o guarda ter sido liberado após pagar fiança de R$ 2 mil antes mesmo de a família ser oficialmente informada da morte. O que diz a investigação De acordo com a investigação, o autor do disparo é o subinspetor da GCM Reginaldo Alves Feitosa. Ele afirmou que o tiro ocorreu de forma acidental no momento em que descia da viatura durante uma abordagem. Segundo o boletim de ocorrência, a equipe fazia patrulhamento após relatos de furtos na região quando avistou Douglas, que estava de bicicleta elétrica, e decidiu abordá-lo. O entregador usava fones de ouvido e, ao perceber a aproximação da viatura, colidiu contra o veículo e caiu. Nesse momento, ao sair do carro, o guarda efetuou o disparo. Ele disse que acreditava ter atirado em direção a um barranco. Douglas foi atingido na região do tronco e morreu no local. O caso foi registrado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar. O agente foi preso em flagrante, mas liberado após pagamento de fiança e vai responder em liberdade. A viúva de Douglas, ouvida pela reportagem na porta do Instituto Médico Legal (IML), também questionou a versão do disparo acidental e o que classificou como despreparo do agente. Ela afirmou que, inicialmente, imaginava que o marido tivesse sofrido um acidente, mas não esperava esse desfecho. Histórico e apuração interna O subinspetor já respondeu anteriormente a investigações, incluindo um caso de tentativa de homicídio em 2003, posteriormente arquivado. Em nota, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU) informou que o agente foi afastado das funções operacionais e que a Corregedoria da GCM instaurou procedimento para apurar o caso. A Polícia Civil também investiga as circunstâncias da morte.