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Ex-professor disse que academia de SP onde mulher morreu teve problemas na piscina há dois anos

Ex-professor de natação disse que academia onde mulher morreu em SP teve problemas na água Um ex-professor de natação da academia onde a aluna Juliana Faus...

Ex-professor disse que academia de SP onde mulher morreu teve problemas na piscina há dois anos
Ex-professor disse que academia de SP onde mulher morreu teve problemas na piscina há dois anos (Foto: Reprodução)

Ex-professor de natação disse que academia onde mulher morreu em SP teve problemas na água Um ex-professor de natação da academia onde a aluna Juliana Faustino Bassetto morreu, na Zona Leste de São Paulo, afirmou que já observou problemas no tratamento da água da piscina no período em que trabalhou lá, em 2024. Nesta quarta-feira (11), subiu para sete o número de pessoas com suspeita de intoxicação. Em entrevista à TV Globo, Thygo Araújo, que trabalhou na C4 Gym durante três meses, disse que era comum sentir irritação na pele e incômodo para respirar devido ao cheiro forte - não apenas de cloro, mas de alguma substância que ele não conseguiu identificar. "Já teve alguns momentos que a gente estava dando aula e sentia desconforto na pele, tipo pinicadas, e um cheiro diferente, que dava ardência no nariz e tosse", relatou Araújo. Ele disse que na época era um dos donos que fazia o tratamento da água da piscina e que houve uma ocasião em que as aulas tiveram que ser interrompidas devido ao odor dos produtos químicos. Piscina da academia C4 Gym, na Zona Leste, onde professora fez aula de natação e teve problemas respiratórios que a levaram à morte. Montagem/g1/Reprodução/TV Globo "Ele [dono] fez uma mistura lá, a mistura saiu errada, e aí ele jogou na piscina das crianças, pequena. Ficou um cheirão forte, que a gente não conseguia ficar lá dentro. Teve algumas [aulas], até que vimos que não estava dando. Aí tirou todo mundo, as crianças. Foi uma semana bem difícil pra água voltar a ficar limpa mesmo, sem nenhum produto químico", disse o professor de natação, que chegou a procurar atendimento médico devido aos sintomas. Os três sócios da academia C4 Gym, no Parque São Lucas, devem ser ouvidos nesta quarta pela Polícia Civil. O advogado que assumiu a defesa disse que eles devem se apresentar por volta das 17h. O delegado responsável afirmou que não os intimou pois ainda está reunindo provas. Manobrista fazia manutenção da piscina O manobrista da academia, Severino José da Silva, de 43 anos, responsável pela manutenção da piscina, disse à polícia que o proprietário do local ligou para ele no domingo (8) e o alertou sobre as investigações: “Vai, sai de casa que a polícia está batendo na porta de todo mundo”. O funcionário afirmou à polícia que, assim que percebeu que as pessoas estavam passando mal no sábado (7), tentou entrar em contato com o dono do estabelecimento, que se chama Celso, mas não obteve resposta. Segundo ele, o retorno só ocorreu às 14h11, quando a academia já havia sido esvaziada. Ao relatar o ocorrido, o proprietário, que se chama Celso, teria respondido apenas: “Paciência”. A ligação teria ocorrido às 10h30 do dia seguinte. Depoimento do manobrista da academia Severino José da Silva, de 43 anos, à polícia Reprodução/TV Globo A principal suspeita das autoridades é que a manipulação de produtos químicos próximo à área de aula pode ter afetado as pessoas, já que o espaço é fechado e tem pouca ventilação. O manobrista contou à polícia que limpava o espaço seguindo ordens de um dos sócios da Academia C4 Gym, enviadas pelo WhatsApp. No último sábado (7), a professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, passou mal depois de sair da aula e morreu horas depois no Hospital Santa Helena, em Santo André. Além da aluna que morreu, outras cinco pessoas precisaram de atendimento. As vítimas são: Vinicius de Oliveira (marido de Juliana): internado em estado grave na UTI, com insuficiência respiratória; Adolescente de 14 anos: internado em estado grave na UTI; Aluna de 29 anos: internada na UTI após sentir náuseas, vômitos e diarreia; Aluno internado em leito comum; Quinta vítima: não foi divulgada mais informação sobre o seu estado de saúde. Sexta vítima: procurou a Polícia Civil nesta quarta para relatar que passou mal Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, aparece na área da entrada da academia e se senta. O marido dela, Vinícius Oliveira, de 31 anos, fica ao lado Jornal Nacional/ Reprodução Quem manipulou os produtos químicos? Testemunhas e vídeos de câmeras de segurança mostram um homem manuseando um balde com produtos químicos ao lado da piscina enquanto alunos ainda estavam na água. Segundo a polícia, ele teria deixado a mistura próxima à piscina aguardando o fim da aula para jogá-la na água, que estava turva. Qual a situação legal da academia C4 Gym? A unidade foi interditada e lacrada pela Vigilância Sanitária e pela Subprefeitura da Vila Prudente. O estabelecimento não possuía alvará de funcionamento, apresentava instalações elétricas precárias e operava com dois CNPJs vinculados ao mesmo endereço. Já havia reclamações anteriores sobre o local? Sim. Mães de ex-alunos relataram problemas respiratórios em crianças desde abril de 2024 devido ao cheiro forte de produtos químicos. Uma mãe afirmou que o maiô da filha chegou a desbotar totalmente após uma aula e que o odor era "insuportável" e "meio ácido". Outra criança desenvolveu crises de tosse e bronquiolite, o que forçou o cancelamento da matrícula. O que diz a academia? A direção da C4 Gym afirmou, em nota, que "prestou imediato atendimento a todos os envolvidos" e que está colaborando com as autoridades. Sobre as queixas de 2024, alegou que houve um reparo na máquina de ozônio à época. O que diz a família de Juliana? O pai de Juliana, Ângelo Augusto Bassetto, pediu justiça: "Essa justiça deve ser feita não para termos de valor... é para não acontecer com mais ninguém". Ele relatou que a médica informou que o produto "queimou muito ela por dentro". Quais foram os produtos utilizados? A polícia apreendeu amostras, mas ainda busca identificar a composição exata e a proporção da mistura. Qual a causa exata da morte? As causas aguardam a conclusão dos laudos periciais e necroscópicos. Houve omissão de socorro? A polícia quer entender por que os responsáveis fecharam o local e não informaram as autoridades imediatamente após o incidente. O caso segue sob investigação no 42º Distrito Policial (Parque São Lucas). Imagens mostram funcionário com produtos químicos em piscina que mulher morreu em SP Câmera mostra momento do resgate de mulher que morreu após passar mal em aula de natação em SP Reprodução