Debate discute crescimento urbano, mobilidade e ocupação do Centro de Santos
Agenda Santos 500 + Divulgação O quinto encontro do projeto Santos 500+ promoveu uma discussão sobre os caminhos do desenvolvimento urbano de Santos nas pró...
Agenda Santos 500 + Divulgação O quinto encontro do projeto Santos 500+ promoveu uma discussão sobre os caminhos do desenvolvimento urbano de Santos nas próximas décadas. Realizado no auditório do Grupo Tribuna, o debate reuniu representantes do poder público, pesquisadores, urbanistas e integrantes do setor da construção civil para analisar temas como mobilidade, adensamento urbano, preservação ambiental e revitalização do Centro. Durante o encontro, os participantes destacaram que a discussão sobre verticalização vai além da altura dos edifícios e envolve decisões relacionadas ao modelo de cidade que Santos pretende consolidar nos próximos anos. Cidade compacta e desenvolvimento urbano O secretário municipal de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade, Glaucus Farinello, destacou que Santos possui características que favorecem um modelo urbano mais compacto e integrado. “Santos pode ser uma cidade de 15 minutos. Você consegue acessar comércio, escola, farmácia e serviços rapidamente”, afirmou. A secretária municipal de Obras e Edificações, Larissa Cordeiro, apresentou dados sobre a evolução urbana do município e ressaltou que a maior parte dos edifícios santistas possui pequeno e médio porte. Segundo ela, apenas uma parcela reduzida das construções ultrapassa 30 pavimentos. Já o engenheiro civil e cientista político Alcindo Gonçalves avaliou que existe uma percepção equivocada sobre o crescimento vertical da cidade. “A ocupação de Santos, nos últimos 40 ou 50 anos, foi basicamente feita por prédios baixos. É um erro dizer que Santos virou uma cidade de torres de 50 andares”, disse. Mobilidade e qualidade de vida A mobilidade urbana também esteve entre os principais temas do encontro. Os debatedores defenderam iniciativas que reduzam a dependência do automóvel e incentivem deslocamentos mais curtos. Larissa Cordeiro destacou a importância de ampliar alternativas de mobilidade e estimular novos hábitos de deslocamento. “Durante muitos anos, empilhamos carros. Agora, precisamos voltar a pensar no pedestre”, afirmou. O arquiteto e pesquisador Luiz Henrique Villanova reforçou que cidades mais compactas tendem a oferecer melhores condições de mobilidade. “Quanto mais concentrada é a cidade, mais fácil é reduzir o uso do carro”, destacou. Preservação ambiental Os participantes também discutiram a relação entre crescimento urbano e preservação ambiental. Segundo Glaucus Farinello, a concentração do desenvolvimento em áreas urbanizadas contribui para proteger regiões ambientalmente sensíveis. “Santos preserva 75% do seu território. Quando concentramos o crescimento urbano na área insular, conseguimos proteger áreas ambientais importantes”, afirmou. Além da preservação territorial, foram apresentadas iniciativas relacionadas à arborização urbana, acessibilidade e integração dos empreendimentos aos espaços públicos. Centro como oportunidade O futuro da região central foi apontado como uma das principais oportunidades para redistribuir o crescimento urbano da cidade. A avaliação dos participantes é que o Centro possui potencial para receber novos empreendimentos, projetos de retrofit e ampliação da ocupação residencial. Entre os exemplos apresentados está o empreendimento Novo Valongo, que deverá ampliar significativamente a presença de moradores na região. “O Centro não é apenas patrimônio histórico. O Centro também é oportunidade, desenvolvimento e moradia”, afirmou Farinello. Ao encerrar o debate, o secretário resumiu um dos principais desafios para a revitalização da área central: “O que falta no Centro é gente”. Ao longo do encontro, os participantes defenderam que o planejamento urbano deve integrar desenvolvimento econômico, mobilidade, sustentabilidade e qualidade de vida, preparando Santos para os desafios e oportunidades das próximas décadas.