cover
Tocando Agora:

Adolescente que morreu após ser liberado de UPA teve torção intestinal e choque circulatório, aponta laudo

Laudo aponta torção intestinal como causa da morte de adolescente em São Carlos O laudo do Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) apontou 'choque circula...

Adolescente que morreu após ser liberado de UPA teve torção intestinal e choque circulatório, aponta laudo
Adolescente que morreu após ser liberado de UPA teve torção intestinal e choque circulatório, aponta laudo (Foto: Reprodução)

Laudo aponta torção intestinal como causa da morte de adolescente em São Carlos O laudo do Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) apontou 'choque circulatório' e 'torção da alça intestinal' como causas da morte de Caio Vinicius de Oliveira, de 15 anos, em São Carlos (SP). O resultado foi divulgado nesta sexta-feira (26). (Veja abaixo o que é a torção) O adolescente morreu na quinta-feira (25) um dia após ser medicado e liberado da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Vila Prado. A família da vítima questiona o atendimento médico oferecido ao garoto, que foi liberado sem a realização de exames. Nesta sexta-feira (26), após o laudo ser divulgado, a prefeitura informou que "vai abrir sindicância para apurar as responsabilidades". LEIA TAMBÉM: MORTE: Adolescente de 15 anos morre 1 dia após ser atendido e liberado de UPA no interior de SP ATENDIMENTO: 'Só olhou para ele e medicou': mãe de menino morto após passar por UPA questiona atendimento O que é a torção da alça intestinal? Segundo a Sociedade Brasileira de Coloproctologia, a torção da alça intestinal, popularmente conhecida como "nó nas tripas", é uma condição grave que pode bloquear a passagem de alimentos e interromper a circulação de sangue em parte do intestino. Em entrevista ao g1, o cirurgião do aparelho digestivo Daniel Luporini explicou que a torção ocorre quando uma alça do intestino gira em torno dela mesma, o que provoca uma obstrução intestinal. "O que acontece muitas vezes é que, por ter essa obstrução, param de circular as fezes no intestino, e inclusive pode também parar de circular o sangue, levando a uma deficiência de oxigênio, necrose do tecido e até perfuração do mesmo", disse. Caio Vinicius de Oliveira morreu um dia após passar por atendimento médico na UPA da Vila Prado, em São Carlos (SP) Arquivo pessoal Causas e sintomas Entre as principais causas da torção estão diferentes problemas intestinais, como tumores, vólvulo de sigmoide, hérnias encarceradas, cirurgias, alterações congênitas, má rotação intestinal, entre outros. O cirurgião Luporini informou que pacientes que já realizaram cirurgias anteriores, com aderências no abdômen, também podem desenvolver o quadro. A médica coloproctologista Lúcia de Oliveira, membro da Sociedade Brasileira de Coloproctologia, reforçou que o principal sinal de alerta é a dor abdominal forte e súbita. Segundo a mãe, o adolescente se contorcia de dor. "A dor aguda que leva a uma síncope deve sempre ser investigada”, apontou. Tratamento Segundo o cirurgião, o tratamento depende da gravidade do quadro. Quando não há sinais de toxemia, ou seja, o paciente não está com febre, não apresenta frequência cardíaca alta nem pressão baixa, o tratamento inclui internação, passagem de sonda nasogástrica para tentar eliminar o gás e hidratação. Após esse período, é feita uma reavaliação e, se não houver melhora, a cirurgia passa a ser indicada. Já nos casos em que há toxemia, como febre, hipotensão, taquicardia ou algum sinal que faça pensar em sepse, a indicação é cirúrgica direta. Ele explicou que não existe um exame que detecte a obstrução intestinal. "Alguns exames podem ajudar, como o raio-X ou a tomografia, que conseguem observar a distensão das alças intestinais, mas não confirmam o diagnóstico", disse. Menino morreu por 'torção da alça intestinal' em São Carlos (SP) Divulgação Lúcia explicou também que a condição pode ocorrer em qualquer idade. “As alterações congênitas são as causas mais comuns em crianças. Apenas deixo a mensagem de que todas as dores abdominais agudas com comprometimento hemodinâmico necessitam de pronta investigação com exames de imagem e laboratoriais”, informou. 'Nó nas tripas' A coloproctologista explicou que as causas são variadas. Ela explicou que, quando o problema evolui, pode afetar todo o organismo. “Sim, o famoso nó nas tripas é exatamente isso: a torção da alça que leva ao sofrimento da mesma e necessita de diagnóstico e tratamento de urgência. A necrose leva à perfuração da alça e peritonite com septicemia. Ocorre choque hipovolêmico com parada do funcionamento de várias funções”, afirmou Lúcia. Família questiona atendimento A mãe do adolescente Caio Vinicius de Oliveira, de 15 anos, questiona o atendimento médico oferecido ao menor, que foi liberado sem que exames fossem realizados. "A médica não fez nada, nem relou nele. Só olhou para ele e medicou", disse Beatris Regina de Lima ao g1 na quinta (25). 📱 Siga o g1 São Carlos e Araraquara no Instagram O caso foi registrado na Polícia Civil como morte natural, mas a família questiona a conduta médica e o socorro prestado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). De acordo com Beatris, o filho passou mal e desmaiou em casa na madrugada de quinta-feira (25). Caio foi atendido pelo Samu e por um médico da Unidade de Suporte Avançado (USA), mas não resistiu. Em nota, a Prefeitura de São Carlos informou que o adolescente deu entrada na UPA da Vila Prado às 5h17 de quarta e foi liberado duas horas depois porque não apresentava sinais graves, segundo a equipe médica. (Veja abaixo o posicionamento). 'Deve ser uma virose' Beatris afirmou que Caio era saudável e manteve a rotina normalmente na terça-feira (23). O adolescente apresentou vômitos e fortes dores abdominais na madrugada de quarta-feira (24), e foi levado de carro à UPA. "Eu falei que ele não parava de vomitar, estava com muita dor na barriga. Ele não parava de se contorcer na frente dela. Retornei e falei que não dava para levar ele embora e deram outra medicação. Uma delas disse que deveria ser uma virose", contou. A mãe afirmou que a médica só olhou para o filho e que, apesar da persistência dos sintomas, nenhum exame foi solicitado. Durante a ida à UPA, Caio passou por atendimento com duas médicas que, segundo Beatris, não teriam realizado avaliação detalhada do adolescente. Mais notícias da região: RIO CLARO: Entregador leva mercadorias para a Guarda Civil com caminhonete furtada e é preso no interior de SP MATÃO: Encapuzados invadem casa e roubam fuzil, pistolas e caminhonete no interior de SP SANTA CRUZ DA CONCEIÇÃO: Homem de 68 anos é encontrado morto dentro de carro em canavial no interior de SP Liberado após medicação UPA da Vila Prado em São Carlos Vitor Diagonel/EPTV Caio recebeu medicações na veia, entre elas dipirona, mas continuou se queixando de dor. Ela retornou ao consultório para informar que o filho não havia melhorado. Depois disso, uma nova medicação com decadron e dramin foi administrada. Após receber os medicamentos, Caio disse que a dor havia amenizado e foi liberado para voltar para casa. Durante o restante do dia, segundo a mãe, o adolescente permaneceu debilitado, com fraqueza e dificuldade para ficar em pé. Ele comeu uma refeição leve e tomou bebida isotônica para reidratação. Mas, na madrugada de quinta, o quadro piorou. Beatris relatou que o filho a chamou dizendo que estava com dor no peito e tontura. Pouco depois, ele perdeu a consciência no sofá da sala da família. "Ele dormiu por volta das 21h, mas por volta das 3h ele me chamou e quis ir para o sofá. Depois de um tempo, ele me gritou, e fui correndo ver. Ele disse que estava com dor no peito e caiu de lado no sofá, já com a boca branca", disse. Atendimento do Samu Caio Vinicius de Oliveira, 15 anos, morreu um dia após atendimento na UPA da Vila Prado, em São Carlos Arquivo pessoal A família acionou o Samu e, conforme relato da mãe, a primeira ambulância chegou rapidamente ao local, mas ela alega que houve demora no início do atendimento porque a enfermeira que estava na unidade móvel teria permanecido dentro da ambulância. Beatris afirmou que a enfermeira só entrou na residência após alguns minutos, quando Caio já estava inconsciente. Em seguida, foram iniciadas as manobras de reanimação. Uma segunda ambulância, com médico, chegou pouco depois para auxiliar no atendimento. A mãe acredita que houve falhas tanto no atendimento prestado na UPA quanto na atuação inicial do Samu. Ela registrou boletim de ocorrência e diz possuir imagens de câmeras de segurança da residência que, segundo ela, registraram a chegada da ambulância e parte da abordagem da equipe. O corpo de Caio foi encaminhado para o Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) de Américo Brasiliense para apuração da causa da morte. O sepultamento aconteceu na tarde desta sexta no Cemitério Santo Antônio, em São Carlos. O que diz a prefeitura Caio Vinicius de Oliveira morreu um dia após passar por atendimento médico na UPA da Vila Prado, em São Carlos Arquivo pessoal De acordo com a prefeitura, Caio foi atendido por uma médica às 5h33 na UPA, apresentando queixa de dor epigástrica, na região superior do abdômen, e vômitos. O paciente não apresentava febre, inapetência ou outros sinais considerados de alerta pela equipe médica. Conforme a nota da administração municipal, Caio recebeu medicação com buscopan, cimetidina, dipirona, decadron e dramin. Após permanecer em observação, ele passou por uma reavaliação clínica às 7h18. O adolescente apresentou melhora e, por isso, recebeu alta médica. Sobre o atendimento prestado pelo Samu, a Prefeitura de São Carlos informou que o chamado foi registrado às 3h20 da madrugada de quinta-feira (25), e que a solicitação relatava um paciente com náuseas, vômitos e mal-estar. Ainda conforme a administração municipal, a primeira equipe enviada foi uma Unidade de Suporte Básico (USB), que era a ambulância mais próxima do endereço informado. O veículo foi acionado às 3h25 e chegou ao local às 3h31. A prefeitura informou ainda que, na sequência, foi deslocada uma Unidade de Suporte Avançado (USA), conhecida como UTI Móvel. A equipe foi acionada às 3h39 e chegou ao endereço às 3h48. Os registros apontam que a USB deixou o local às 4h24. A administração municipal não detalhou os procedimentos realizados pelas equipes durante o atendimento. Sindicância da prefeitura Após a divulgação do laudo, a prefeitura enviou um novo comunicado nesta sexta. Veja a íntegra: A Prefeitura Municipal de São Carlos, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, manifesta profundo pesar pelo falecimento do adolescente de 15 anos e se solidariza com seus familiares e amigos neste momento de imensa dor. Diante da divulgação do laudo necroscópico, que aponta como causa do óbito uma torção intestinal, a Administração Municipal informa que acompanhará rigorosamente a apuração dos fatos, com total transparência e responsabilidade. Embora se trate de uma condição rara e de evolução clínica que pode apresentar sintomas iniciais pouco específicos, todas as circunstâncias que envolveram o atendimento prestado ao paciente serão analisadas de forma criteriosa. Para garantir uma avaliação técnica, isenta e fundamentada, a Secretaria Municipal de Saúde instaurará procedimento administrativo para analisar o atendimento realizado, incluindo a revisão do prontuário médico, dos protocolos adotados e de toda a documentação pertinente. Caso sejam identificadas falhas ou inconformidades, as medidas administrativas cabíveis serão adotadas. A Prefeitura ressalta que qualquer conclusão sobre eventual responsabilidade deve ser baseada na análise técnica completa dos documentos médicos, do laudo pericial e da evolução clínica do paciente, respeitando o devido processo de apuração e evitando julgamentos precipitados e políticos. Por fim, a Administração Municipal reafirma seu compromisso com a qualidade da assistência prestada à população, com a transparência na condução dos fatos e com o constante aperfeiçoamento dos serviços públicos de saúde. Prefeitura Municipal de São Carlos Secretaria Municipal de Saúde REVEJA OS VÍDEOS DA EPTV: Veja mais notícias da região no g1 São Carlos e Araraquara